sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tre bicchieri - Molto buono

Tre Bicchieri é um restaurante italiano que fica na Mena Barreto (perto da São Gabriel), exatamente ao lado do Varanda Grill. O nome faz alusão ao respeitadíssimo guia de vinhos italiano "Gambero Rosso". Neste guia os vinhos são classificados com uno, due ou tre bicchieri, ou seja, um, dois ou três copos de acordo com a sua qualidade. Seria exatamente igual a uma, duas ou três estrelas no Guia Michelin, por exemplo.
O restaurante é excelente, e logo ao chegar dei de cara com o Souza, um maitre com quem trabalhei no D.O.M. (Alex Atala) há dez anos e pensei, se o Souza está aqui, a parada é quente, pois trata-se de um profissional da mais alta qualidade que não estaria trabalhando em uma casa que não fosse TOP. Mais alguns instantes e vejo o Juscelino cruzando o salão e cumprimentando alguns clientes. Juscelino foi outra pessoa com quem trabalhei, porém no Gero (Fasano), trata-se de um dos melhores profissionais de gestão de restaurante que conheço. Um cara que parece ser de origem aparentemente humilde e que graças ao seu trabalho possui hoje quatro restaurantes em São Paulo (Tre Bicchieri, Zena, Piselli e Ministro). Bom, depois de topar com essas duas feras, tive certeza de que estava pisando em terreno seguro, pois os caras não são de brincadeira. E não deu outra, tirando uma ou outra consideração - porque eu sou chato pra car.... - o jantar foi maravilhoso.
Estavamos em duas pessoas, eu e a minha querida Paula Maragno, cujo aniversário comemorávamos naquele dia. Pra começar dividimos uma entrada (insalata di polipo con fagioli), salada de polvo com feijão. De prato principal, eu pedi um gnocchi com salsicia toscana e ela um bollito del mare (cozido do mar) de sobremesa dividimos uma pastiera di grano (torta de pasta frola com recheio de ricota e grãos de trigo). Eu bebi cerveja e ela caipirinha. Aliás, diga-se de passagem, eu adoro cerveja. Sei que as pessoas comem bebendo vinho etc etc. Mas o fato é que eu amo cerveja, é a minha bebida preferida e eu não troco por nada. Bom, vamos às considerações: inicialmente eu gostaria de salientar que tudo estava muito bom. Digo isso, pois todos os pratos que pedimos, exceto a sobremesa, na minha opinião poderiam ser um pouco diferentes. Porém, do jeito que foram servidos estavam ótimos. No caso é que EU sou realmente um "mala se alça". Mas...vamos lá: insalata di polipo con fagioli - Adoro pratos italianos com feijão (pasta e fagioli, tonno e fagioli, salsicia e fagioli etc) A tal salada de polvo estava boa porém não se tratava de uma salada e sim de um carpaccio de polvo com um pouco de feijão branco em cima e uma saladinha de folhas. Acho que o polvo deveria vir um pequenos pedaços e não na forma de carpaccio, como foi apresentado, afinal de contas no cardápio o prato constava com sendo uma salada de polvo e não um carpaccio. Acho que o prato também careceu um pouco de acidez, uma banda de limão siciliano espremido e um pouquinho mais de azeite extra-virgem teriam caído muito bem. Quantos aos pratos principais o meu gnocchi estava muito bom, delicado, aromático etc. A única consideração que tenho a fazer é que os gnocchi eram muito pequenininhos, quase do tamanho de um grão de feijão, poderiam ser maiores. Outro fato que me incomodou um pouco, só um pouco, foi o fato de o prato já vir com parmesão ralado da cozinha. Acho mais legal quando o garçom vem à mesa e rala na hora. Mas tudo bem é só um detalhe. O bollito del mare estava muito gostoso, caldo de peixe gostoso, peixes e crustáceos cozidos no ponto certo etc. O problema é que o prato continha dill em excesso. Tudo estava muito gostoso, mas o dill acabou predominando e roubando um pouco da delicadeza do prato e das outras ervas que lá estavam. Que dill combina com peixe, todos nós sabemos, porém acho que por ser um tempero de origem russa e escandinava, combine melhor com os pratos daquela região como o salmão gravlax (delicioso), arenque com creme azedo (maravilhoso) entre outros. Como o nosso bollito em questão é um prato mediterrâneo, acho que o dill não deveria ter sido "convidado", seria melhor ter ficado só com manjericão e salsinha e talvez um pouquinho de tomilho, (talvez um pouquinho). Quanto à sobremesa, esta foi irrepreensível, massa delicada recheio delicioso e um pouquinho de zabaione ao lado com um toque de zafferano que quase me fez ajoelhar. Adoro zafferano, acho que é um dos aromas mais delicados e sensacionais da gastronomia. Vai bem com risottos, molhos, doces. Um espetáculo.
Mudando de assunto mas permanecendo no mesmo, uma coisa que eu achei meio chata, foi o fato de a bebida não ficar na mesa, o garçom me servia a cerveja e a levava embora pra deixá-la num balde com gelo que ficava longe do meu alcance. Cada vez que eu queria encher o meu copo, tinha que chamá-lo. Um saco! Ainda mais pelo fato de a cerveja ser long neck, que comigo não tem a menor chance de esfriar. Continuando a falar da bebidas, não sei se eu é que sou pobre ou se é a galera que tá enfiando a faca (acho que é uma combinação dos dois), mas tenho achado muito caro o preço das bebidas nos restaurantes. E eu não estou falando de vinho, e sim de coca-cola, cerveja e caipirinha. Às vezes os pratos nem são tão caros, mas as bebidas acabam dando um "upgrade" considerável no ticket.
Bom....concluindo, o restaurante é realmente bom, comida, serviço e ambiente. Trabalho de profissional realizado por gente com anos de experiência nas melhores casas de SP. Recomendo!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Pecorino Restaurante - Muuuuuuito fraco

Fui ao Pecorino no sábado com meu pai e minha irmã. O restaurante fica ao lado do Miski na Eugênio de Lima lá em baixo, quase na Estados Unidos e sempre me despertou curiosidades já que o lugar é bonitinho e parecia ter uma comida gostosa. "Parecia". O que aconteceu ontem foi uma sequencia de coisas erradas que me fazem crer que o pico não tem muito futuro ou como diriam os médicos: "tem um prognóstico reservado".



Bom, ao todo nós pedimos sete itens, dos sete, cinco deram B.O. Pra começar pedi uma coca zero que não chegou, precisei cobrar o garçom. Tudo bem acontece. De entrada, pedimos uma salsicia com finochio (linguiça com erva doce), depois de dez minutos vem o garçom e disse que o chef estava "sugerindo" outra entrada. Na minha opinião, erro grave pois o garçom já deveria saber que o produto estava faltando e nos ter avisado na hora do pedido. Além do mais, linguiça curada não é um alimento tão perecível e portanto o fato de estar em falta demonstra falha de logística. Em um restaurante, é aceitável que determinado item falte no cardápio devido a sasonalidade ou pelo fato de ser muito perecível como um peixe por exemplo, que pode acabar no fim da noite, mas eu disse no fim da noite, quando podem ter ocorrido muitos pedidos daquele item e ele ter acabado. Mas ontem, com certeza, a casa já abriu sem o produto. Isso é "mancada".
Quanto ao chef é um playboyzinho que ficava desfilando pelo salão tirando onda de Popstar e quando fomos embora estava no terraço da frente bebendo com o dono do restaurante. Acho grave, o chefe só pode "desfilar" e beber vinho com o patrão se a cozinha está "azeitada", o que absolutamente não é o caso do Pecorino.
Pedimos um vinho que foi servido na tempertura correta etc etc. Beleza. Quanto aos pratos principais: eu pedi um capeletti de carne al sugo, meu pai um risotto de linguiça, vinho tinto e radicchio e minha irmã uma salada. O meu capeletti estava bem ruim, O recheio não tinha gosto de nada e a massa veio nadando no molho de tomate. Dava pra ter um terço de molho e o pior é que o mesmo tinha gosto de agrotóxico. Considerações: hoje em dia, é mais fácil trabalhar com pomodori pelatti, é bom e não tem variações. Quem quiser trabalhar com tomate fresco, tem que escolher bem o fornecedor pra que o tal gosto de agrotóxico não predomine nos molhos, saladas etc. Quanto ao recheio do capeletti vai aqui a receita básica dos tradicionais e deliciosos tortelini bolognese que são os nossos capeletti (40% carne bovina, 40% carne de frango, 20% mortadela, ovo, nóz moscada, parmesão, sal e pimenta do reino). Este é o melhor e único recheio pra capeletti de carne. Punto e basta. Quanto ao risotto do meu pai, o vinho tinto utilizado simplesmente arruinou o prato, com certeza era um vinho de garrafão daqueles fermentados "na marra" que deixam um gosto de produto químico. Aqui vai uma dica básica, vinho pra comida tem que ser um vinho que você consegue beber. Se você beber e achar ruim, como é que ele pode ficar bom na comida? Milagres não acontecem. Vinho pra comida tem que ser obrigatóriamente seco e custar mais do que R$ 12,00 a garrafa. Se for mais barato que isso, esqueça. Votando ao risotto, o ponto do arroz estava correto, o risotto estava cremoso e os grãos separados, como manda o figurino. Mas, de nada adiantou.
A salada da minha irmã estava boa, segundo a própria.
De sobremesa meu pai pediu uma tradicional e clássica Pastiera di grano. Grano em italiano significa trigo e esse doce é caracterizado por possuir grãos de trigo inteiros, previamente cozidos no leite, que conferem uma textura gostosa ao recheio. Resumindo, a pastiera não tinha um grão de trigo e a massa da torta um patê brisée sucre (massa podre açucarada) estava crua.
Quanto à decoração, o lugar possui três ambientes: uma varanda na frente muito agradável, o salão central também muito legal com uma certa atmosfera nostálgica de "dolce vita", aliás me remeteu ao Bafeto, uma tradicional pizzaria de Roma, perto da Piazza Navona; e por último um salão no fundo com um toldo retrátil, que imagino nos dias sem chuva deve ficar aberto, fazendo com que o ambiente fique ao ar livre. O problema é que quando está chovendo e o toldo fica fechado, a acústica deste ambiente fica horrível, parece que a gente está no meio de uma feira.
Falando agora um pouco do serviço, os garçons são bem simpáticos e a noite inteira procuraram ser agradáveis e sorridentes, o que pra mim é 80% do caminho andado. Técnicamente poderiam ser melhores, mas tudo bem, não comprometeram.
Bom, passando a régua: Sinal de alerta ligado! Se os caras não corrigirem os erros, o lugar não vai pra frente.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bottagallo - bom mas.......






Almocei no Bottagallo. Na verdade eu ainda não estou com a opinião formada a respeito do lugar. Acho porque talvez não tenha ficado 100% feliz com o prato que eu pedi, um papardelle com ragù de costela. O prato prometia, mas o molho precisaria ter sido um pouco mais desengordurado. O tempero estava legal, bem aromático com ervas frescas, tomate cereja etc., a massa caseira deliciosa, porém a cada garfada que eu dava, tinha que limpar a boca pois ficava com aquela sensação de estar com a boca suja. No final do almoço o meu gardanapo estava brilhante de tanta gordura. É engraçado como às vezes um prato tem tudo pra arrasar e acaba não dando certo por um descuido. Era só o cozinheiro que fez o molho ter tido um pouco de cuidado ao finalizá-lo e ter tirado a gordura que sempre se deposita na parte superior; ainda mais num molho feito com costela, que tem gordura até o teto. Porém ainda assim eu gostei da proposta do lugar, a casa tem cardápios diferenciados para almoço e jantar, e as opções são bastante apetitosas. Um amigo pediu um risotto de burrata que estava bem gostoso. O outro pediu um bife a milanesa com tagliolini al limone, o bife estava gostoso mas o macarrão carecia de um pouco de gordura , sei lá um pouco de manteiga, creme de leite ou até um pouco de azeite, pois estava meio sem vida. O cardápio da noite tem uns intens que achei bem legais: as scarpetas, que são potinhos com molhos pra você mergulhar o pão, e clássicos da gastronomia italiana como bisteca alla fiorentina, linguiça e fagioli, polentas diversas. A decoração na minha opinião tem altos e baixos: gostei muito da cozinha aberta e do balcão que a circunda. Quanto ao salão, achei que tem muita madeira (teto, chão, parede). Fiquei com a sensação de estar dentro de um estábulo, daqueles que a gente vê nos filmes americanos. O restaurante pertence ao grupo da pizzaria Bráz, Original, Pirajá, Astor etc. É um grupo bastante profissional, todas as casas tem uma identidade legal e um posicionamento bem definido. Os cardápios geralmente são assinados pela Ana Soares, que é uma profissional extremamente competente. Agora, o que eu mais gostei foi de uma máquina manual de cortar frios italiana, do século 19. Exatamente, 1867, se não me engano. A tal máquina fica sobre o balcão à frente da cozinha e além ser linda, tem um corte que eu juro nunca ter visto igual. O garçon estava cortando uma peça de prosciuto crudo que eu nunca vi nenhuma máquina elétrica cortar daquele jeito. As fatias saiam perfeitas. Realmente vale a pena levantar da mesa e ir até o balcão só pra vê-la.
Bom...resumindo é isso: o lugar é legal porém a galera tem que tomar cuidado com alguns detalhes importantes.